Eu na minha mais pura inocência(hã?), afirmei que hoje nao haveria pitaco...afinal, mente cheia de desânimo e dúvidas o que renderia?? Aí me lembrei:"Mente ociosa, oficina do Diabo", então bora pôr os bichos pra fora.
Neste meu clima de fazer nada, estava vendo o "Cassino do Chacrinha" no canal Viva, e acreditem, dei boas risadas.O mais estranho, foi ficar com o pezinho doido pra se mexer, assistindo o Roberto Leal cantar, ao mesmo tempo que achava as chacretes e os jurados, ridículos. Na verdade, todo o conjunto da obra era tenebroso, mas é a MINHA história, a MINHA memória e só eu posso folgar.
Admito, usava o cabelo corte "Pantera" e uns anos depois usava tênis Reebok, aquele mesmo...de botinha...o sonho das meninas.Nunca tinha grana pra usar coisas da moda, mas com ajuda de minha mãe e minha avó, que costuravam, e mais minha tia Eva que tinha uma lojinha na época, pude usar algumas vezes a tal saia xadrez com meia grossa logo acima do joelho.
Como canceriana legítima, posso ter vergomha, mas também muito carinho por minhas memórias, poderia ficar horas relembrando minha adolescência...isto que foi bem sem graça.
Mas falando em avó, tornarei mais pública ainda duas questões marcantes quabto a ela: foi minha primeira inspiração paraca vaidade e causadora da primeira grande vergonha da minha vida.
O causo já começa que nao chamavamos ela de vó, ou vovó, mas de madrinha, quer fôssemos afilhados ou não(eu era) e era uma preferência dela.Acredito que sendo vaidosa como era, e um tanto fútil até, se sentiria muito velha ao ser chamada de vó.
Então a madrinha enrolava seus negros cabelos com papelotes, ate ficarem cacheados, cortava as unhas ao modo "styletto"e as pintava, SEMPRE de vermelho, assim como o batom, parecia que nao havia outra cor no mundo.Ela não tinha muitas condições, então ela mesma se cuidando, me mostrou que ser pobre nao é desculpa pra ser desleixada.Ela combinava bolsa com sapatos, e sempre estava as voltas com revistas de moda(querer tudo e ter bom gosto é de família rsrsrs).
Ah, vocês querem saber é da vergonha né? Então, quando o Iguatemi foi inaugurado em Poa, ela me levou, trajando um lindo casaco de peles e luvas de pelica( se era legítimo, não saberei, prefiro pensar que sim), para conhecer o tal local e me levou para lanchar.Nem sei se ja havia comido fora alguma vez na vida, pelo colorido, escolhi uma pizza Califórnia( com frutas) e para tomar, acham que foi refri?? Na na ni a não!!! Sacou um vidro de Nescafe, cheio de Nescau quentinho, afinal, eu não podia tomar gelado.Neste momento descobri o que realmente significava VERGONHA...eu queria morrer, fugir, sumir...e depois remorso de ter sentido vergonha da madrinha....ah! Canceriana confusa...
Hoje deixei de lado a acidez, não combinaria com a doçura da memória,das tardes na cadeira de balanço ou me mostrando suas maquiagens, ou escondendo a idade... tantas saudades....
Saudades...
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